Entre a urna e o caixa: como as eleições chegam à vida real

Para o empresário, a eleição pode aparecer na cotação do dólar, no custo do crédito, na decisão de contratar e na confiança para investir. Para o trabalhador, ela chega ao preço dos alimentos, à prestação da casa, à segurança do emprego, ao valor do salário e aos direitos que organizam sua relação com o trabalho. A disputa política ocupa as redes sociais, os debates e as conversas familiares. Mas seus efeitos mais profundos não ficam no campo dos discursos. Eles atravessam empresas, contratos, empregos e escolhas cotidianas.

A vaga está aberta. A empresa está pronta para contratar?

Imagine uma situação comum no recrutamento. A empresa precisa contratar com urgência. O gestor descreve alguém experiente, capaz de organizar processos, melhorar resultados e começar a entregar rapidamente. Quando o RH pergunta quais serão as prioridades, quem poderá tomar decisões e qual remuneração está aprovada, algumas respostas ainda dependem de uma reunião.

Seu time precisa provar que está trabalhando?

Imagine uma profissional preparando uma proposta que exige análise, concentração e cuidado. Antes de concluir a primeira parte, recebe uma mensagem do gestor: “Como está o andamento?”. Responde. Pouco depois, precisa atualizar uma planilha, participar de uma reunião de acompanhamento e explicar novamente o que ainda está construindo.

Sua empresa cobra o uso de IA. Ela preparou as pessoas para isso?

Imagine uma reunião de equipe. A liderança anuncia que todos precisam incorporar inteligência artificial à rotina. A expectativa é reduzir tempo, melhorar entregas e aumentar a produtividade. Alguém pergunta qual ferramenta poderá utilizar, quais informações poderá inserir e quem vai orientar os primeiros testes. As respostas ainda não estão definidas. A cobrança, porém, já começou.

Depois das urnas: o que o brasil está pedindo?

Ontem, o Brasil foi às urnas e revelou, mais uma vez, um país profundamente dividido. Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos; Lula, 45,16%. A diferença entre os dois foi pequena, e a decisão sobre a Presidência seguirá para o segundo turno.

Setembro Amarelo: O cuidado que a empresa promete e a rotina desmente

Setembro terminou. Muitas empresas falaram sobre saúde mental ao longo do mês, abriram espaço para palestras e lembraram seus profissionais de que pedir ajuda é importante. Essas iniciativas podem acolher quem sofre. Mas deixam uma pergunta para o dia seguinte: o que acontece quando a pessoa volta à mesma rotina que a estava desgastando?

A empresa oferece terapia, mas não muda o trabalho

Em mais de 25 anos trabalhando com Recursos Humanos, lideranças e saúde emocional, tenho ouvido diferentes versões da mesma frase: “A empresa oferece apoio psicológico, mas eu volto da sessão e encontro exatamente o mesmo ambiente que me adoeceu”.

A inclusão que ainda não chega à liderança

Na última sexta-feira, 18 de setembro, o IBGE divulgou um novo retrato das condições de vida das pessoas com deficiência no Brasil. Os dados são referentes a 2022, mas foram reunidos agora em um informativo que expõe desigualdades persistentes no acesso ao trabalho, à renda e aos espaços de decisão. Entre as pessoas com deficiência com 14 anos ou mais, o nível de ocupação era de apenas 29%. Entre aquelas sem deficiência, chegava a 55,8%. A diferença também aparece na remuneração: o rendimento médio mensal das pessoas com deficiência era 29% menor.

Quando qualquer reunião pode ser gravada, quem protege a confiança?

Imagine a cena.

Um gestor entra na sala usando óculos inteligentes. O equipamento é discreto, semelhante a uma armação comum, mas possui câmera, microfone e recursos de inteligência artificial.

A reunião começa.

Ninguém sabe ao certo se o dispositivo está ligado. Ninguém pergunta. Uma profissional apresenta uma dificuldade no projeto, outro colaborador discorda da decisão tomada pela diretoria e alguém comenta um erro cometido pelo próprio gestor.

A conversa parece normal, mas já não é inteiramente livre.