Caro leitor,
Você sabia que o assédio moral já é uma das maiores causas de ações na Justiça do Trabalho? Entre 2023 e 2024, foram 116,7 mil novos processos registrados, um aumento de 28% em relação ao período anterior.
No acumulado entre 2020 e 2024, o número impressiona: 458 mil novas ações. Esses dados revelam uma ferida aberta nas organizações brasileiras. Pesquisas recentes indicam que 46% dos trabalhadores afirmam já ter sofrido assédio moral ou psicológico, tornando-o a forma mais comum de abuso dentro das empresas.
O silêncio das vítimas
Apesar da alta incidência, apenas 8% das vítimas relatam o ocorrido. A ausência de denúncia tem múltiplas causas: medo de represálias, receio de perder o emprego, descrença na efetividade das apurações e até mesmo a normalização de práticas abusivas. Esse silêncio não elimina o problema; ao contrário, fortalece a perpetuação de ambientes de trabalho tóxicos.
O impacto na saúde mental
O assédio moral é uma agressão invisível, mas devastadora. Ele está diretamente associado a quadros de ansiedade, depressão, síndrome de burnout e afastamentos prolongados pelo INSS. Em 2023, por exemplo, os transtornos mentais foram responsáveis por mais de 200 mil afastamentos do trabalho no Brasil, segundo dados oficiais da Previdência Social.
Esse cenário gera um duplo prejuízo: financeiro, para empresas e para o sistema público de saúde, e humano, para os trabalhadores que carregam cicatrizes emocionais de longo prazo.
Caminhos de correção, prevenção e controle
Se o problema é estrutural, a resposta também precisa ser. Algumas iniciativas já estão em andamento:
- Cartilhas do TST e do CSJT: materiais que orientam empresas, gestores e trabalhadores a identificar e enfrentar o assédio.
- CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e Assédio): prevista na NR-5 e NR-1, amplia a responsabilidade das organizações em promover ambientes mais seguros.
- Políticas internas claras: empresas que criam canais de denúncia anônimos e garantem proteção à vítima têm maiores índices de confiança interna.
- Capacitação de líderes e gestores: treinamentos sobre comunicação assertiva, gestão de pessoas e ética são fundamentais para reduzir práticas abusivas.
- Cultura organizacional saudável: promover o respeito, a diversidade e a inclusão como valores centrais fortalece a prevenção.
O papel das lideranças
Nenhuma medida será efetiva sem líderes conscientes. Cabe a eles identificar comportamentos abusivos, atuar como exemplo e criar um espaço de segurança psicológica onde os trabalhadores se sintam ouvidos e protegidos.
O aumento de ações judiciais é um alerta: não estamos diante de casos isolados, mas de um problema sistêmico que adoece profissionais e compromete a sustentabilidade das empresas. Combater o assédio moral exige compromisso coletivo, coragem institucional e empatia individual.
Se queremos ambientes de trabalho mais humanos e produtivos, precisamos transformar a cultura organizacional e romper o ciclo de silêncio que ainda aprisiona milhares de trabalhadores.
E você, já presenciou ou viveu situações de assédio moral? O que acha que as empresas deveriam fazer para enfrentar esse problema de forma mais efetiva? Compartilhe sua visão nos comentários e ajude a ampliar esse debate.
Obrigada por chegar aqui e até a próxima,
Fabiana Santiago
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